Diziam que ela era sensual como Marlene Dietrich, escrevia como Virginia Wolf, era herdeira de Kafka e melhor que Borges . Era nativa e estrangeira, judia e cristã, bicho e pessoa, lésbica e dona de casa, homem e mulher, bruxa e santa. Suas paixões nunca deram certo. Aqui, viveu decepções e glórias, mas não conseguiu viver longe do Brasil . Seu primeiro romance, Perto do Coração Selvagem, causou sensação. Pensavam que Clarice era pseudônimo de um homem . Vivia então entre o grupo de mineiros Fernando Sabino, Helio Pellegrino, Otto Lara Rezende e Paulinho, sua última paixão.
Para curar a depressão, cigarros Hollywood e comprimidos para insônia Bellergal, combinação explosiva que provocou mais tarde o incêndio em sua cama no Leme, queimando - a de cima a baixo. Clarice aproveitou a dor " para gritar pelo passado e o presente . E pelo futuro também ." O acidente deixou complexada a mulher mais estonteante que frequentou o Bar Recreio. Provocava sempre um furacão de paixões .Tentava afastar a morte com psicanalistas judeus como Inês Besouchet e Jacob David Azulay . Em 9 de dezembro de 1977, aos 57 anos, em seguida a uma hemorragia no hospital, sentiu que ia morrer . Gritou para a enfermeira : " Você matou meu personagem . "Ela se tornou sua própria ficção. No dia 11 de dezembro, um domingo, foi sepultada no cemitperio israelita do Caju, no Rio de Janeiro . Na tumba, em hebraico, a inscrição de seu nome : CHAYA BAT PINKHAS , CHAYA , filha de Pinkhas .
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